O que o vídeo “barraco do Leblon” pode nos dizer sobre o Brasil

O vídeo viralizou sábado (26) nas redes sociais e o debate acontece até hoje

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Da BBC News Brasil

Duas mulheres de biquíni e um homem passeiam em um carro conversível no Leblon, bairro de classe média alta do Rio de Janeiro, famoso nacionalmente por servir de cenário para novelas da TV Globo. Ao passarem por uma rua movimentada, atraem a atenção da multidão. Um copo de água é arremessado por uma frequentadora de um bar e atinge uma das mulheres. A vítima desce do carro e ataca sua agressora. Um homem que a acompanha na mesa de bar se levanta e corre atrás da mulher, agride e acaba tirando a parte superior de seu biquíni, enquanto o carro onde o grupo estava bate em retirada.

Mas, além dos memes, as imagens geraram discussões mais profundas pelos usuários. Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil apontaram atitudes “patriarcais” e “classistas” do que descreveram como sendo características típicas da sociedade brasileira.

‘Controle de corpos

Comentando sobre o caso do Leblon, a escritora, jornalista e cientista política Débora Thomé, criadora do bloco de Carnaval “Mulheres Rodadas”, diz que o episódio reflete um “paradoxo”. “Acho que meu maior ponto sobre o episódio do Leblon diz respeito ao paradoxo brasileiro de uma sociedade que parece ao mundo liberada sexualmente, mas que ainda se vê regida pelo ciúme e, como eu gosto de falar, controle de corpos”, diz ela. “Somos ainda regidas por isso dentro do sistema patriarcal. Ou seja, menos me interessa a mulher estar nua ou de biquíni ou o que for, mas o fato de a outra, por ela passar assim na frente do companheiro dela, sentir-se no direito de viol-la”, acrescenta. “Ou seja, trata-se de uma discussão sobre feminismo”, conclui.

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