Chegou a 16 o número de estados que registram bloqueios ou tentativas de paralisação em rodovias federais, nesta quarta-feira (8/9), subindo o nível de alerta de transportadoras e mercados.

Até as 8h, segundo boletim do Ministério da Infraestrutura com dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), foram confirmados bloqueios em rodovias de pelo menos 15 estados: SP, SC, RS, PR, ES, MT, GO, BA, MG, TO, RJ, RO, MA, RR, PE e PA

O movimento é organizado por caminhoneiros autônomos, um dia após manifestantes pró-governo pedirem, dentre outras pautas, o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional, em diversos atos pelo país. Além desses temas, os motoristas que aderiram à paralisação cobram a redução dos impostos e do preço dos combustíveis.

Na maioria dos locais, apenas carros pequenos, veículos de emergência e cargas de alimentos perecíveis estão tendo o trânsito liberado pelos manifestantes.

De acordo com o Ministério da Infraestrutura, não há mais pontos de interdição de pistas na malha rodoviária federal, salvo protesto pela causa indígena na BR-174/Roraima.

Boletim emitido no fim da noite desta quarta pelo Ministério da Infraestrutura, com dados da Polícia Rodoviária Federal, revela que o quadro se deteriorou rapidamente durante o dia. No início da tarde, havia registros de problemas em quatro estados. Na nota sobre a situação às 20h30, contudo, o número de estados com pontos de concentração em rodovias federais chegou a 14 estados, dos quais 12 “com abordagem a veículos de cargas”.

Além das manifestações nas rodovias, caminhoneiros também seguem bloqueando vias da Esplanada dos Ministérios, em Brasília: seguem interditadas a N1 e a S1. Os manifestantes viraram a noite na Esplanada. Houve movimentação de viaturas policiais para reforçar a segurança.

A pista, que dá acesso ao Congresso Nacional, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Palácio do Planalto – além de prédios dos ministérios – foi fechada na noite de domingo (5), para as manifestações de 7 de Setembro. No entanto, um grupo que apoia o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e defende medidas inconstitucionais, por meio de faixas, cartazes e palavras de ordem, permanece no local.

Zé Trovão segue foragido e incita bloqueio de caminhoneiros nesta quinta

Cinco dias depois de mandado de prisão solicitada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) e determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o bolsonarista Marcos Antônio Pereira Gomes, conhecido como Zé Trovão, que segue foragido, apareceu hoje em vídeo publicado nas redes sociais incitando outros caminhoneiros a bloquearem rodovias e a “fecharem tudo” nesta quinta-feira.

Bolsonaro pede em áudio para caminhoneiros liberarem estradas

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pediu para que caminhoneiros autônomos desistissem da paralisação e liberassem rodovias, em áudio divulgado em grupos de mensagens, nas redes sociais.

“Fala para os caminhoneiros aí, são nossos aliados, mas esses bloqueios atrapalham a nossa economia. Isso provoca desabastecimento, inflação, prejudica todo mundo, em especial os mais pobres. Então, dê um toque aí para os caras, se for possível… para liberar, para a gente seguir a normalidade.”

Pouco tempo depois da divulgação do áudio, o ministro Tarcísio Gomes de Freitas confirmou a veracidade e reforçou o pedido do chefe do Executivo para que os manifestantes desistissem da mobilização.

Associação fala em movimento político

Em nota, a NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística) criticou a paralisação e disse que “trata-se de movimento de natureza política e dissociado até mesmo das bandeiras e reivindicações da própria categoria, tanto que não tem o apoio da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos”.

“Preocupa a NTC o bloqueio nas rodovias o que poderá causar sérios transtornos à atividade de transporte realizada pelas empresas, com graves consequências para o abastecimento de estabelecimentos de produção e comércio, atingindo diretamente o consumidor final, de produtos de todas as naturezas inclusive os de primeira necessidade da população como medicamentos, combustíveis etc”

“Esperamos que as autoridades do Governo Federal e dos Governos Estaduais adotem as providências indispensáveis para assegurar às empresas de transporte rodoviário de cargas o pleno exercício do seu direito de ir e vir e de livre circulação nas rodovias em todo o território nacional, como pressuposto indeclinável para o cumprimento da atividade essencial de transporte”, prossegue.

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